Doenças Mentais

Eu lembro que eu costumava ter pouca dor de cabeça. Lógico (dããã), eu era criança! Mas de vez em quando eu tinha. E minha mãe sempre tratava a coisa do mesmo jeito: “É sono!”, “É fome!”, “É estômago!”. Então eu achava que a coisa era assim. A cabeça dói você deita e espera a dor passar. Até que apareceu a Tia Ângela e tudo mudou. Tudo porque ela tomava remédio para dor de cabeça. Lembro que quando tomei meu primeiro comprimido e a dor de cabeça passou (né?) eu achei a coisa mais sensacional do mundo. Talvez tenha sido daí que veio minha paixão pela indústria farmacêutica e as delícias que ela disponibiliza para a humanidade.

Por essas e outras que eu acredito que todo mal devia ser doença. Porque tem mal que não é, né? Mas devia. Seria lindo se fosse porque aí, pra todo tipo de mal, haveria seu respectivo comprimido. Alegria comprimida! Alívio comprimido! Seria bom demais para ser verdade. Então para tentar tornar minha trajetória na Terra mais leve, eu gosto de dar uma de Peixe Grande e ficar inventando moda pra ser um pouco mais feliz. E saio inventando um monte de doenças mentais. Por dois motivos: primeiro porque eu gosto de chamar as coisas de doença porque eu acho isso muito otimista (mesmo!), segundo porque eu AMO os nomes das doenças mentais.

Então, eu enrolei tanto nesse bla bla bla preliminar que esqueci da maioria das doenças, vou postar só duas, quando for lembrando, vou colocando. Até porque, tá grande já e a linguegem da internet não permite isso!

1. Síndrome de Chantcler:

Essa já apareceu por aqui e, se você jogar no Google assim, vai achar O Placebo como primeira referência! (lógico, né? Fui eu quem inventei!). Para contextualizar, Chantcler é uma ópera que tem um galo que acredita ser o responsável pelo nascer do dia. A Síndrome de Chantcler é quando uma pessoa acredita que o outro dia só chegou quando ela dorme e acorda. Exemplo: agora são 00:34 (eu devia ter vergonha na cara e ir dormir, né? Faz parte...) para mim ainda é dia 29 de abril (a despeito de já ser dia 30) e caso eu não durma e vire a noite aqui no computador, dia 30 simplesmente deixará de existir. A Síndrome de Chantcler ainda não tem cura e seu grau de influência negativa na vida de uma pessoa é muito pequena. Só é nocivo com relação a prazos porque, embora o acometido pela síndrome não perceba, o tempo realmente passa para o resto do planeta Terra.


2. Síndrome de Porquinho Possuído

Não pode ver uma lama que tem logo que rolar nela. Inspirada na passagem bíblica que serve de epígrafe para Os Demônios, de Dostoievski, descobri essa doença. Ela se caracteriza pelo apreço exacerbado dos acometidos por situações lamacentas. Assim, os enfermos costumam ser mais suscetíveis a situações de crise e a sofrer por absolutamente tudo que seja potencialmente sofrível ainda que esse potencial não se desenvolva. Além disso, o porquinho possuído atira-se voluntariamente na lama e só sai de lá voluntariamente também. Essa é uma psicose maníaco-melancólico-dramática muito séria e pode levar o paciente a desenvolver sintomas diversos que vão do isolamento deprimido a uma efusividade irritante podendo, um mesmo paciente, apresentar esses dois tipos de sintoma de acordo com o momento da crise. A cura ainda está em discussão na Sociedade Brasileira de Pessoas Desocupadas. Os primeiros testes foram com o uso da enxada como medicamento. Os primeiros resultados foram bons, mas a longo prazo o tratamento foi apresentando uma série de efeitos colaterais muito graves.



Bom, é isso. Depois de 3.456 caracteres, tudo o que eu queria dizer é que eu acho uma baita injustiça não existir remédio para coisas que são muito mais desconfortáveis que cólica menstrual (750 mg de paracetamol resolvem!) , inchaço da garganta (que são-diclofenaco salva) ou enjôo pós-manguaça (que a dobradinha plazil + dipirona elimina em dois tempos!)!

Beijos e Saúde!
(Amanhã eu escrevo sobre como é difícil ser hipocondríaco em tempos de gripe suína...)

2 comentários:

Clarisse disse...

eu já ia comentar da gripe suína antes de ler a última frase do seu post x)
Patrícia, vc é uma ATOA! uhahuahuauhauhauhahu morro de rir!

Rafael Fernandes disse...

Eu ia dizer "eu não tomo remédios", mas lembrei que hoje mesmo (hoje, na verdade ontem, são 00:53) de manhã eu tomei um anti-alérgico. Eu nunca gostei de tomar remédios, sinto que não é natural, sei lá... principalmente pra dor de cabeça, só tomo em último caso, acho super bizarro quando alguém diz num lugar qualquer "Alguém tem remédio pra dor de cabeça?" e uma pessoa completamente INSANA responde "eu tenho, você prefere dipirona ou paracetamol? Hum... em gotas ou comprimido?". Mas voltando pro anti-alérgico, dele eu gosto, porque ele resolve algo que pode afetar profundamente meu humor e minhas relações inter-pessoais: a crise alérgica! Então, não vou te xingar por tomar tantos remédios (eu sei, eu sei que não é esse o enfoque do post, é tudo metáfora, eu sei).