Carta Aberta #2

Agosto,

Não adianta eu tentar manter os olhos abertos. Não vou nem tentar, afinal, já passamos dessa fase. Daqui a pouco você vai chegar porque é isso que você sempre faz. Nenhum de nós dois tem escolha nenhum de nós dois pode evitar.

Mas quando você chegar, desta vez, eu quero que encontre estas palavras e que leia cada uma delas com atenção. Aceito que você venha e recebo você como posso, como dou conta. Mas imploro, desde já, clemência.

Peço com humildade. De joelhos, se preciso for: tenha piedade de mim. Faça o que você tem que fazer. Eu sei como funciona. Mas preserve minha dignidade. Peço porque sou fraca. Peço porque, desta vez, eu simplesmente não posso...

Acho que no fundo eu nunca pude. Por mais que eu tenha negado. No fim, eu sempre quedei derrotada. Perdi todas para você. Absolutamente todas. Dessa vez eu te ofereço minha rendição. Humilde. Acredite em mim.

Prometo esperar você raspar o seu prato antes de me retirar da mesa. Prometo não esquecer que é você quem manda por 31 dias. E prometo não julgar a sua força pela intensidade dos golpes.

Eu sei do que você é capaz. Não precisa me provar mais nada. Você já pode se dar ao luxo de me dar o luxo da misericórdia.

p.

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