Pela natureza e consistência, certas ideias parecem se formar não nos miolos, mas nos intestinos. E por vezes ficam ali retidas provocando inchaço, dando aquela sensação de peso, de desconforto e (principalmente) de impossibilidade de seguir a vida com o mínimo de felicidade humanamente pretendida.
Por vezes é possível se livrar dessas ideias com a paciência de um mamão papaia ou uma colher de aveia nos cafés da manhã. Suspeito, inclusive, que bons hábitos devem mesmo inibir drasticamente a formação de ideias desse tipo estimulando, ao contrário, a produção daquelas que fluem suavemente. Quase com hora marcada.
Às vezes a formação desse tipo de ideia se torna tão frequente e tão temível que é preciso apelar para os laxantes. Então se engole o comprimido e espera pela verborragia. E se a fartura e a facilidade por um momento encanta, logo os efeitos de uma flora intestinal devastada começava a aparecer. É preciso cuidado para não fazer dessa prática corajosamente (???) escapista, um vício.
Mas vez ou outra, jamais viciados ou viciados tratados se vêm atormentado por uma ideia dessas que teimam em se manter do lado de dentro. E o desespero para tirá-la de lá é tão grande que até a dor humilhante parece uma opção mais viável e apelamos, resignados, para o drástico uso dos supositórios da vida.
Mas o que mais me leva a acreditar nessa teoria é, sem dúvida, o domínio da urgência. Porque quando uma ideia desse tipo resolve sair, seja por você ter apelado para algum método ou mesmo quando optou pelo let it be tudo o que eu tenho a dizer é que ela sai. Ela é mais forte que você, não adianta tentar lutar. Ainda que sejam quatro da manhã. Que esteja frio. Que exista um milhão de responsabilidades para o dia seguinte. Ela sai.
E pode ser suja, pode ser fedorenta, pode ser do tipo que vai exigir muito da descarga da sua privada. Mas, com certeza, você vai se sentir, por fim, leve e aliviado.
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