Clap clap clap


Ah, o orgulho... Por que diabos gostamos tanto dele? Porque não podemos admitir uma vida sem ele? Não sei, broder.

Sério, dê uma olhadinha na mediocridade. Vem cá, olha de perto. Ela não morde. Juro. Chega mais perto e vê que ela não é tão feia assim, vai. Só sei que todo mundo detesta a mediocridade, morre de medo da mediocridade. Mas damos de comer a ela todas as manhãs fazendo com que ela seja cada vez mais forte.
Damos a ela um apelido qualquer só para conseguirmos dormir sem Rivotril.

Orgulho? Qual foi a última coisa realmente passível de orgulho que fizemos? Não sei de onde saiu essa loucura de que se você não é ruim isso faz de você bom. Faz não, desculpa. Não errar não é necessariamente acertar, aceite! Não sei quem achou que seria boa idéia isso de que quem cumpre ali suas obrigações merece ser aplaudido de pé. Não, não merece.

Mas a gente quer sentir orgulho, né? E não tá fácil pra ninguém. E aí a gente começa a enfiá-lo pela goela abaixo e a ter orgulho de um monte de coisa cretina. Deixemos o orgulho para os Beethovens, os Leonardos DaVincis, os Dostoiévskis da vida.

Temos que passar no vestibular, temos que nos formar, temos que arrumar um bom emprego e ter dinheiro e comprar o primeiro carro e trocá-lo todo ano. E temos que fazer uma Eurotrip antes dos trinta para gastar todo aquele inglês que aprendemos em cursinhos que frequentamos desde a quinta série. E aí terão orgulho de nós.

É, é isso que eu estou dizendo: Passamos toda a nossa vida sob toda essa pressão para percebermos que estão finalmente nos aplaudindo de pé. Aplaudindo de pé a nossa mediocridade.

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