terça-feira, 13 de setembro de 2011

De papel ou Reflexões egocêntricas de uma pessimista incorrigível.


“É tudo de papel”
@zeziga

Sim. É tudo papel. E dissolve com um jato d’água de torneira de pia de banheiro. Ou como um copo que entorna. E rasga com o gesto se um pouco mais brusco. E uma vez colado, sempre fica marcado. E não raro perde a validade.

Lamentar? Vamos deixar de lado por um minuto a morte dos entes queridos, pode ser? Obrigada. Então eu não lamento não. Pelo menos no meu contextozinho pessoal, ordinário e mesquinho, o papel é a maior das bênçãos.

O mármore é para heróis. Não é coisa para girls Who misses much. Graças a Deus tudo se desfaz assim, tão rápido. Graças a Deus rasga e precisa ser trocado por outro exatamente igual. Exatamente mesmo, olha bem. Exatamente por mais trágico e improvável que pareça. Como um forro de bandeja do McDonalds. Graças a Deus praticamente tudo é feito em série e pode ser substituído por um idêntico. Ignorar os mimimis de Benajamin e pronto. Segue o baile.

Colocar os erros debaixo da torneira da pia do banheiro. Entornar sobre eles um copo d’água. Assim eles se dissolvem. E perceber que aquilo que nossos erros nos fizeram perder era só papel...

Não é perdão. Não é redenção. Mas é o que tem para janta.

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