Eu era escrita em Grego. Você, em Latim. E nós achamos que a diferença seria, senão suave, ao menos palatável como a diferença entre o Espanhol e o Catalão. Erramos.
Não bastou conhecermos a sintaxe. E menos ainda o denotativo de cada palavra dos dicionários sagrados um do outro. Nos líamos mal. Derrapávamos nas curvas da menor ambiguidade. Nunca soubemos referenciar o óbvio direito e não sobrevivemos.
Pedimos socorro à Distância. Só ela podia nos resgatar ao Inferno de Hades onde jazíamos. E ela assim o fez.
Por nosso turno, não olhamos pra trás. E dominamos o Alemão, o Russo, o Dinamarquês e até as línguas orientais. Nem mesmo na escrita cuneiforme dos sumérios nos é totalmente impossível encontrar sentido. Preenchemos assim nossos vazios.
Só que Eu nunca aprendi o Latim.
E nem Você aprendeu o Grego.
E entre um nunca e outro criou-se uma entrelinha (ai de nós!): único lugar dos mundos onde pudemos, finalmente, nos amar. Logo lá, onde o amor é deveras para sempre...
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