The Ghostwriter

A carne era branca e o sangue negro. Todas aquelas folhas dispersas sobre a mesa, o chão a cama... Pareciam-se horrivelmente com corpos esquartejados. Fediam a morte.

Vasculhava aquela confusão com as mãos generosas e espalmadas e com a certeza de que procurava desesperadamente por algo que não encontraria. Não estava ali. Esfregava os dedos aflitos contra o rosto e sentia o gosto das gotículas de suor que condensavam no buço frio. Aquilo não estava certo.

Nas curvas sutis onde se viam Times News Roman ela via os velhos rostos familiares. Aquilo não era um “C”, mas os tristes olhos de Clara. Podia reconhece-la, como reconhecia Cecília, Mateus e Alaíde.

Reconhecia cada rosto onde tudo parecia lauda. Sabia que tudo aquilo lhe pertencia. Aquele pertencer equivocado de mãe. Tudo aquilo ali disperso tinha saído de dentro. Mas não eram vísceras. E não eram mais um feto. Mas não podia se lembrar de nada. Como se tivesse dormido por cada uma daquelas gestações. Como se os tivesse parido em coma.

Recolheu a sujeira e a dispôs em uma pilha. Ignóbil. Chorou. Estava irremediavelmente sozinha. Foi quando deu-se conta... Tinha feito de novo. 

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