Eu olho pra ele. Ele me olha de volta. Com os olhos sofridos
da Maria, aguçados da Pilar ou azuis de Robert Jordan. Não há absolutamente
nada que eu possa fazer por eles. Nem eu nem ninguém. A página 450 está escrita,
impressa e encadernada e, o fato de eu não me atrever a lê-la não vai mudar o
destino dos guerrilheiros espanhóis que eu ousei amar.
Mas não é isso que me assombra no fim das contas. O que me
assombra é que eu nem sequer cogito que tudo pode ficar bem. Eu largo o livro.
Olho pra ele, ele olha pra mim. Venho flodar o Twitter. Sabe, em 30 páginas a
angústia pode ter acabado.
Aí eu fico me perguntando: ao que mesmo que eu me apego? Eu
e meu gosto bizarro. Pra quase tudo.
Pareço babaca, mas estou só tentando ser hedonista, que é
mais bonito que covarde. Ou mais fácil. Dizem.
De nada mais sei. Mas desconfio...
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