Eu lembro quando aquela barreira abriu. Eu não estava vendo
o jogo. Eu estava tentando ver Jerry Maguire e chorando no quarto do meu irmão,
que tinha ido ao Mineirão. Então a barreira abriu. Gol do Geovanne. Graças a
Deus eu não vi o São Paulo quase empatar de novo. Porque estava com a cabeça
metida entre os joelhos, chorando. Aquilo era felicidade.
Também lembro que tinha mesmo que ter sido de letra. Pra não
ter discussão. Era levar um empate para casa, para decidir no Mineirão. Mas
tinha que ser um empate de gala. Com gol do Alex. De Letra. Aquilo era felicidade.
E foi mais felicidade ainda, uma semana depois, quando o Júlio César levou três
gols de descontrole e o Cruzeiro mais uma Copa do Brasil.
Não, em 2003 a felicidade não foi diluída. Se engana quem
pensa assim. Foi um campeonato inteiro de felicidade. Confesso que o que me
deixava mais feliz era ser zoada até a exaustão quando o Cruzeiro empatava em
1x1. A perfeição não é sem graça. 2003, a felicidade era equilibrada e
tranquila. Mas era felicidade.
Felicidade em cada classificação para a fase seguinte das
Libertadores que me lembro de ter disputado. Felicidade quando ganhamos a
Libertadores de 1997, quando eu não tinha nem muita dimensão do que isso significava.
Mas era felicidade.
Hoje não. Hoje eu chorei 45 minutos. Um gol. Outro. Depois
outro... e eu me limitei a chorar. Chorei quando o Bahia fez o dele também.
Chorei calada. Só ouvindo o jogo acontecer. Só esperando o jogo acabar.
Esperando o campeonato acabar. Esperando o pior passar.
E passou. Da melhor forma possível, não posso reclamar. Mas podia
ser alívio. Podia ser até euforia. Mas felicidade não. Felicidade é outra
coisa.
| Com saudade então, fica mais difícil ainda... |
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