terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Cinco Horas da Manhã



Todos os dias. Cinco horas da manhã. Horário de Portugal.

Como um compromisso. Com mais disciplina do que eu já tive com qualquer coisa na vida (inclusive remédios). Todos os dias, cinco horas da manhã, eu tenho a iluminada visão de que minha vida está toda e completamente errada.

Cinco horas da manhã. É o momento em que eu olho pro relógio. Depois eu olho pela janela e reflito sobre o que está por vir. Cinco horas é hora de decidir (a escolha mais difícil que eu ando me fazendo) se é o caso se apagar a luz e tentar ou desistir e aceitar que, Síndrome de Chantcler a parte, o outro dia já começou. A Insônia venceu mais uma. Você não vai mais dormir.

Cinco horas da manhã é quando você fica olhando pra tela do computador e ela machuca um pouco o olho. E você sente frio e dor nas costas. Cinco horas. Você não vai conseguir ler um livro e o silêncio é tão pesado que você escuta os sons que fazem a inseparável máquina funcionar. As unhas no teclado parecem britadeiras.

Cinco horas. Você se lembra que às 19h foi tomada por uma vontade indizível de não existir. De nunca ter existido. E que ante a impossibilidade de ter esse anseio estranho atendido, tudo o que você poderia fazer era dormir. E aí você dormiu. Dormiu porque estava cansada de tanta irregularidade de sono. Dormiu para se preparar para a vigília talvez.

Cinco horas e uma decisão: eu não vou dormir. É tarde. Estou com fome. Tenho coisas para resolver logo cedo. Mas ainda são cinco horas... 

O dia ainda demora um pouco a chegar (inverno no hemisfério norte, meus caros) e eu ainda tenho tempo. Tempo para me arrepender. Tempo para me cobrar. Tempo para olhar para todos os planos que eu poderia estar fazendo se não fosse... ah... se não fosse.

Se não fosse hora de encerrar esta transmissão.

Bom Dia. 

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