Eu ainda acho que a relação que uma pessoa tem com a outra é, precisamente, a relação que um humano tem com sua mala de rodinhas.
Sabe como? De modo geral, e na maior parte do tempo, você vai empurrando de um lado pro outro. Não que você não goste dela, claro que você gosta, mas né? Dá pra puxar, ela fica ali juntinho, acompanha e fica tudo bem. Volta e meia você pode deixar ela ali no cantinho, pra fazer xixi ou algo assim, e ela fica bem. Via de regra, ela se sustenta relativamente bem se não tiver ninguém puxando pela alça. Dá tudo certo.
Mas isso quando o terreno é bom. Porque é só aparecer um degrau ou uma fenda no chão, ou alguma coisa do tipo que as rodinhas já não servem mais pra nada. E você tem que pegar a mala e carregar. Carregar pela escada, carregar para dentro do medidor de bagagem da Ryanair ou mesmo do chão pra dentro do porta-malas do carro. Aí é trabalho braçal.
E é por isso que, mesmo meio que tanto fazendo na hora de puxar em uma superfície plana e lisa, ninguém quer uma mala pesada demais. Porque justamente quando a coisa ficar feia (alô, Murphy?), ela vai precisar ser carregada! E mesmo que ela esteja cheia de ouro, imagina só, simplesmente não conseguir tirá-la do chão? Deve ser muito, muito frustrante. E se ela estiver cheia de meias sujas e roupas surradas então? Você vai se pegar se achando meio imbecil de estar lá, todo vermelho, tentando pegar a danada para subir os lances de escadas até a sua plataforma de metro.
Não dá pra ignorar que tem escadas. E passeios públicos, muitas vezes sem nenhuma rampinha. Não dá pra ignorar que é difícil guiar uma mala pesada ladeira abaixo. Por melhor que seja o conteúdo, que ele seja leve. Carregar não precisa ser necessariamente fácil. Sabe aquele seu tênis de caminhada que você resolveu levar e acabou salvando sua vida naquela viagem onde você batia perna 6 horas por dia? Ele pesou a mala. E você nem ligou. Desde que, na hora de tirá-la do chão, o processo tenha sido pelo menos suportável.
Sweet and lovely, girl... Orai e vigiai.
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