Cavalo de Guerra




“_Vai – disse-lhe Robert Jordan – Na guerra acontecem muitas coisas como estas.
_ Qué mierda es la guerra! – exclamou Augustin.”*

Sim, a Guerra é uma merda. A coisa mais descabida e imbecil que existe. A Guerra não serve nem para que se façam filmes sobre ela. 

E Cavalo de Guerra tinha tudo para ser como ele é: chatíssimo. Não bastando ser um filme de Guerra, é ainda uma dessas histórias que insistem em dar características humanas para os pobres dos animais, e dotá-los de umas racionalidades descabidas e desnecessárias. 

O filme não se decide em nenhum momento entre ser um filme de guerra ou ser um filme de bicho. A combinação das duas coisas falhou tão miseravelmente que nem entro nesse mérito. 

Como filme de bicho ele é só mais um filme de bicho, daqueles que representam a saga de uma amizade fiel e inabalável (que soa mais forçada que de costume ainda). Uma amizade que não é desgastada nem pelo tempo nem uma guerra. Sob protesto e lágrimas do jovem que o treinou e que promete que vai reencontrá-lo, o cavalo é vendido no começo da guerra para que a família que o possuía não perdesse a posse de suas terras. Daí para frente, todas as pessoas que cruzarem o caminho do animal vão encontrar um destino nada bonito até o reencontro entre o bicho seu dono. 

Sério, parece que o objetivo de Cavalo de Guerra é deprimir o expectador. Porque desde que sai de casa, vendido a um oficial para ser usado como montaria na I Guerra Mundial, o cavalo vai encontrando personagens que duram cerca de 20 minutos no filme. São personagens essencialmente bons, daqueles que são feitos para que gostemos deles. E então eles são cruelmente descartados. Sempre de uma maneira trágica, como um carrossel macabro. 

Como um filme de Guerra, o filme também colabora muito pouco e não mostra nada que já não tenha sido mostrado ate a exaustão pelo cinema. Destaque para a cena em que um soldado britânico e um alemão se unem para livrar o cavalo do arame farpado onde ele acabou se metendo. A cena é bonita justamente por mostrar como a guerra é idiota e como não faz o menor sentido colocar homens que nunca se viram antes para simplesmente se matarem. Também se destaca a personagem da Emily Watson que discute – tendo a Guerra como pontos de partida - temas como a coragem e a covardia por uma perspectiva que achei brilhante. Mas a personagem também dura muito pouco na tela e não encontra equivalente no roteiro ao longo do filme.

Chato e forçado. E grande, muito grande. Mais uma vez, parece só fazer parte Da Lista porque este ano ela está, realmente, muito fraquinha. 

* Por quem os sins dobram - Ernest Hemingway.

1 comentários:

Fábio Megale disse...

"O Resgate do Cavalo Ryan", como dizem por aí.

Sem mais o que acrescentar.