O Homem que Mudou o Jogo


Na natureza, muitas vezes, não importa o tamanho de bicho, mas o tamanho que ele consegue convencer seu predador que ele tem. Tem até um nome para isso, mas eu esqueci e não achei num Google simples, se alguém souber, ajuda aí.

No mundo de Moneyball (mais um título com tradução cretina! Este ano bate recorde.) é mais ou menos assim também. Não há espaço para os seres humanos em uma terra onde charme e confiança são essenciais para a sobrevivência. Tão importante quanto o jogo em si é o jogo do bastidor onde só os semi-deuses sobrevivem. 

E é no fato de conseguir extrair humanidade de uma situação assim que o filme brilha. Talvez seja, nessa temporada, aquele que mais se vale da sutileza. E que consegue extrair, no fim das contas, a leveza como grande pérola da história.

Brad Pitt aqui, diferente da apresentação pífia em Árvore da Vida, brilha. O que, para o ator não é uma boa notícia. Ele definitivamente precisa do carisma do personagem para conseguir desenvolvê-lo. Espero que ele aceite isso na escolha dos próximos trabalhos. 

Também apreciei a coragem do filme em não se explicar como um filme que não, não fala de baseball. Definitivamente não é um filme sobre o esporte e ele não cai nessa armadilha em momento algum. Você pode, assim como eu, não entender absolutamente nada daquela loucura de bases e tacos. Você pode não ter a menor noção do jogo para entender de que mudança estamos falando. Não é um filme sobre esporte. 

É um filme sobre gente. E se era para dar um título cretino em português, O Homem que mudou o jogo bem que poderia ser o jogo que mudou o homem. Porque você pode não entender (ou não dimensionar) o impacto do jeito Billy Beanen no baseball, mas você certamente vai dimensionar a mudança de paradigma na vida do personagem. 

A cena que encerra o filme foi, sem dúvida, a minha favorita dessa safra: “Just enjoy the show”, diz a voz doce da menina no aparelho de som. Pronto. Está dado o recado.  

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